Às três da manhã, uma rapariga que ele nunca vira antes, bateu-lhe à porta do quarto e pediu se lá podia dormir. - “Sim, com certeza”, respondeu ele.
Assim começa esta história escrita por Steve Johnston, sobre um encontro improvável de dois desconhecidos de estratos sociais diferentes, Will e May, numa noite quente de Verão, algures em Dublin, no final da década de setenta.
Um trabalho para dois actores, a Inês Patrício e o Nuno Bravo Nogueira num registo de um realismo cinematográfico. Um espectáculo intimista em que convidamos o público a entrar de madrugada no quarto de Will e a assistir no escuro ao evoluir da acção, apurando os sentidos, escutando, espreitando, deixando-se levar pela curiosidade voyeurista. Uma conversa a dois na penumbra da noite e no espaço reduzido de uma cama, alheios aos olhares indiscretos do público.
Quisemos contar-vos uma história simples de um modo cativante. Quisemos como sempre criar o espectáculo da teatralidade, do envolvimento global dos sentidos, quisemos despertar a imaginação, surpreender o preconceito, abrir portas à emoção.
Em termos visuais, tentamos renovar-nos sempre em cada novo projecto. Desta vez procurámos encher o espaço, sem povoar o espírito. De certo modo está lá tudo mas coberto pelo manto diáfano da noite. Procurámos iluminar como os antigos mestres da pintura barroca, tentando que as luzes colorissem a cena com parcimónia, conduzindo os olhares no reconhecimento dos contornos dos corpos e revelando progressivamente à medida da descoberta mútua das personagens e da curiosidade individual dos espectadores.
Um espectáculo realizado no âmbito de um protocolo de colaboração com o Teatro ao Largo e que corresponde à 31ª produção do GATO SA, no ano do seu vigésimo aniversário.
Auditório do Centro de Actividades Pedagógicas Alda Guerreiro 14,15 e 16 de Julho - 21,30h